Especialista em Infectologia Pediátrica, a médica Marisa Aloe, palestrou para mais de 100 pediatras na noite desta quarta-feira (19), no auditório da Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia. Ela foi convidada pela Vigilância Epidemiológica de Campos para repassar sua experiência no trabalho de prevenção e controle do vírus Influenza A/H1N1, que ajudou a implantar na capital, e no atendimento e tratamento de crianças com suspeita da gripe suína, que desenvolve em um dos maiores hospitais da cidade do Rio de Janeiro, o Hospital Municipal Jesus.
Membro do Comitê Estadual de Infectologia, Aloe descreveu os aspectos epidemiológicos da nova gripe e as formas de identificação e diagnóstico dos casos, acentuando os sintomas necessários para caracterizar a gripe suína nas crianças, definindo conceitos como síndrome gripal aguda e síndrome respiratória aguda. A médica destacou que, apesar de integrarem um grupo de risco, as crianças não são as mais afetadas pelo H1N1:
- No Hospital Jesus, temos 54 casos suspeitos e destes oito foram confirmados. Tivemos o óbito de uma criança, mas essa criança apresentava outros fatores de risco, como obesidade. Diferente da gripe sazonal, que ataca mais as crianças e idosos, hoje as estatísticas demonstram que as vítimas da gripe suína estão na faixa etária de 15 a 50 e a morbidade pelo H1N1 está mais relacionada à gravidez e síndromes respiratórias agudas - diz.
Aloe contou que, no último dia 11, a estatística nacional do contágio pelo H1N1 era de 0,09 pessoas por 100 mil habitantes. Desse percentual, há letalidade em 16% dos casos em que os pacientes apresentam algum fator de risco. "Na capital, a orientação é considerar a presença do H1N1 em crianças com os sintomas, como tosse e dor de garganta, mesmo que a febre seja referida, bastando o responsável contar que a criança teve febre, mesmo que, na hora do atendimento, ela esteja com a temperatura normal. A dispnéia (falta de ar) já indicação de gravidade da gripe".
Mas a infectologista pediátrica ressaltou que a maioria dos casos de gripe suína não é complicado, tem duração limitada e, em geral, só apresenta gravidade quando o paciente tem algum fator de risco.
Verônica Nascimento / SECOM
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